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Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a união entre tecnologia e habilidades humanas será a chave para as novas profissões
Tendências mundiais em transformação, como o avanço tecnológico, mudanças demográficas e a transição para uma economia verde, devem gerar cerca de 170 milhões de novos empregos até 2030. A projeção é do Relatório sobre o Futuro dos Empregos, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial.
Segundo o levantamento, o crescimento será impulsionado por funções diretamente impactadas pela inovação. Na área da saúde, por exemplo, haverá uma expansão de ocupações que utilizam dados e sistemas inteligentes para apoio a diagnósticos e cuidado personalizado. Já no setor de tecnologia, a demanda é crescente para cargos ligados à Inteligência Artificial (IA), como analistas de dados, engenheiros de machine learning, auditores de algoritmos e especialistas em segurança e governança digital.
Essas novas profissões exigem uma combinação inédita: conhecimento técnico avançado somado à capacidade de interpretação humana, mediação e responsabilidade ética.
Para Welton Dias de Lima, professor dos cursos de Pedagogia e Engenharia de Software do Centro Universitário UNICEPLAC, o cenário atual exige uma mudança de perspectiva. “Esse novo panorama mostra que o trabalho não está acabando; ele está mudando. Ocupações baseadas em tarefas repetitivas, como operadores de caixa, já estão sendo reduzidas pela automação. Ao mesmo tempo, a tecnologia amplia funções ligadas à análise, supervisão, criatividade e tomada de decisão”, explica o docente.
De acordo com o professor, o desafio central não é a escassez de vagas, mas a velocidade da transição, que impõe a necessidade de requalificação contínua.
A vez das competências humanas
Embora a demanda por habilidades em IA, big data e cibersegurança cresça rapidamente, o mercado valorizará cada vez mais as características intrinsecamente humanas. Habilidades como criatividade, resiliência, flexibilidade e pensamento crítico serão fundamentais para complementar a eficiência das máquinas.
“Essa visão alinha-se aos estudos do pesquisador e psicólogo Daniel Goleman. Ele defende que, para o sucesso profissional — especialmente em cargos de liderança —, as competências socioemocionais (soft skills) têm peso superior às técnicas. Segundo Goleman, entre 70% e 80% do sucesso no trabalho está associado a atributos como autocontrole, empatia, comunicação, trabalho em equipe e capacidade de lidar com pressão”, compartilha o professor Welton.
Como se preparar para 2030?
A recomendação para estudantes e profissionais é clara: evite uma preparação restrita a uma única função técnica. “É preciso investir em formação ao longo da vida (lifelong learning), desenvolver o pensamento crítico sobre a tecnologia e ampliar o repertório cultural. Isso inclui certificações, domínio do inglês e, acima de tudo, a compreensão dos impactos da tecnologia nas relações humanas. Mais do que dominar ferramentas, é preciso ter capacidade de adaptação”, destaca o docente.
Na instituição, todos os cursos de graduação, inclusive na área da saúde, como Medicina, já integram novas tecnologias ao cotidiano acadêmico. Um exemplo prático dessa inovação ocorre nas aulas de anatomia, fundamentais para cursos como Odontologia. A instituição incorporou o uso de mesas digitais anatômicas e óculos 3D, transformando o estudo tradicional em uma experiência imersiva.
“Mais do que modernizar a sala de aula, essas ferramentas promovem um aprendizado ativo para as novas habilidades. Ao melhorar a compreensão espacial e a retenção de informações, a tecnologia prepara o estudante para um mercado onde a interação entre humano e máquina será a rotina”, completa o professor do UNICEPLAC.
Faro Criativo






























