O deputado federal André Janones (Rede-MG) transformou um canal de WhatsApp chamado Exército de Lula em um dos principais instrumentos digitais da campanha de Lula no segundo turno. Em poucos dias, o canal saiu de cerca de 50 mil inscritos antes da votação de 4 de outubro para mais de 2 milhões, segundo o Metrópoles.
O assunto dominou as redes nesta semana por dois motivos. O primeiro é o tamanho da mobilização, que teve apelo direto do presidente. O segundo é a polêmica em torno de mensagens apagadas, que levou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Justiça Eleitoral e fez o TSE suspender e depois restabelecer o canal.
Embora muita gente chame de grupo, o Exército de Lula é um canal, formato de transmissão em que só o administrador publica e os inscritos reagem com emojis.
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COMO FUNCIONA O EXÉRCITO DE LULA
Segundo reportagem do Brasil de Fato, o canal funciona como uma via de mão única. Apenas Janones publica, com áudios, vídeos, textos e as chamadas missões, que são pedidos para que os inscritos repostem conteúdos em outras plataformas e convidem novos contatos.
Os participantes respondem com emojis, que servem de termômetro para a equipe medir o alcance de cada mensagem. A lógica é transformar cada inscrito em um multiplicador da campanha em redes sociais, grupos familiares e conversas privadas.
DA META DE 3 MILHÕES AO APELO DE LULA
O crescimento foi rápido. O Brasil de Fato registrou 1,8 milhão de inscritos na manhã de 7 de outubro, com meta declarada de 3 milhões. Poucas horas depois, o Metrópoles informou que o canal havia chegado a 2 milhões.
Em um vídeo compartilhado por Janones, Lula pediu que mais pessoas entrassem e estabeleceu uma meta de 5 a 10 milhões de membros. O presidente afirmou que o canal deveria ser o maior exército democrático do mundo.
O CONTEXTO DO SEGUNDO TURNO
A mobilização acontece depois de um primeiro turno apertado. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.503 votos. Lula obteve 45,16%, ou 53.879.538 votos, uma diferença de cerca de 2,2 milhões. Mais de 33 milhões de brasileiros se abstiveram. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A estratégia digital busca engajar jovens, combater a abstenção e conversar com eleitores que votaram em branco ou anularam o voto. Páginas de fãs de artistas como BTS, Taylor Swift e Anitta ofereceram seus canais à campanha. Os organizadores dessas páginas afirmam que se trata de decisão autônoma dos administradores e não de posicionamento dos artistas.
Paralelamente, militantes tocam a iniciativa Vira-Voto Brasil, com canal no Telegram e grupos estaduais. A proposta é diferente: priorizar conversas presenciais no trabalho, na vizinhança, nas escolas e na família, em vez do envio em massa de mensagens.
A POLÊMICA DAS MENSAGENS APAGADAS
Em 11 de outubro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal. No dia seguinte, a área técnica do tribunal informou não ter identificado notícias falsas nas publicações analisadas, de 2 a 11 de outubro. O relatório, porém, registrou que a exclusão e a edição de mensagens dificultam a reconstrução do histórico do canal.
Depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a suspensão e determinou o restabelecimento provisório do canal até que o plenário do TSE analise o caso.
Em 13 de outubro, durante um evento de anúncio de medidas para empreendedores, entre elas o Desenrola MEI, Janones confirmou que apagou cerca de 500 mensagens. Segundo o Poder360, ele disse que apagava as publicações depois que os integrantes cumpriam as orientações de compartilhamento e que decidiu parar para evitar questionamentos. A campanha de Flávio Bolsonaro divulgou um levantamento que aponta 499 conteúdos excluídos e questionou a prática em processo apresentado à Justiça Eleitoral.
O QUE O EPISÓDIO MOSTRA SOBRE A DISPUTA NAS REDES
Janones defende uma comunicação menos institucional, com gravações espontâneas feitas com celular e cenas do cotidiano de Lula. Nas palavras dele, o modelo é de mais calçada e menos helicóptero. O Exército de Lula é a aplicação mais visível dessa ideia, e o WhatsApp segue como terreno central da campanha a poucos dias da votação.
O caso ainda não está encerrado. O plenário do TSE vai analisar o canal, e o resultado pode definir como campanhas poderão usar transmissões em aplicativos de mensagem até o fim da eleição.
PERGUNTAS FREQUENTES
O Exército de Lula é um grupo ou um canal?
É um canal de WhatsApp. Nesse formato, apenas o administrador publica e os inscritos podem apenas reagir às mensagens.
Quem administra o canal?
O deputado federal André Janones, do Rede de Minas Gerais, organiza e publica as mensagens do canal.
Por que o TSE suspendeu o canal?
A suspensão foi determinada em 11 de outubro após um pedido apresentado à Justiça Eleitoral. A área técnica não encontrou notícias falsas nas publicações analisadas, mas apontou que apagar e editar mensagens dificulta a reconstrução do histórico. Depois, a suspensão foi revertida.
O canal está no ar?
Sim, de forma provisória. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral restabeleceu o canal até que o plenário do TSE analise o caso.
Fontes: Poder360, Metrópoles e Brasil de Fato.





















