A ação mira grupos que utilizavam imagens manipuladas de celebridades e marcas conhecidas para divulgar anúncios falsos.


A Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, anunciou que está processando pessoas e empresas do Brasil, da China e do Vietnã por aplicarem golpes com uso de deepfakes. A ação mira grupos que utilizavam imagens manipuladas de celebridades e marcas conhecidas para divulgar anúncios falsos, principalmente relacionados a produtos de saúde.

Segundo a empresa, os conteúdos fraudulentos eram elaborados para parecerem reais. Por isso, muitas vezes se tornavam difíceis de identificar. Além disso, os responsáveis também vendiam cursos ensinando como aplicar essas fraudes. Deepfakes ameaçam a confiança digital e colocam milhões de usuários em risco todos os dias.

Como funcionava o esquema

No Brasil, os investigados são acusados de utilizar vídeos manipulados de personalidades famosas para vender produtos de saúde sem comprovação científica. Esses anúncios prometiam curas rápidas e resultados milagrosos. Em muitos casos, ofereciam soluções para diabetes, dores crônicas e emagrecimento acelerado.

A técnica utilizada é chamada de deepfake. Ela permite alterar imagens e vozes com ajuda de inteligência artificial. Assim, cria-se um vídeo falso, mas extremamente convincente. O objetivo era fazer parecer que médicos e celebridades recomendavam os produtos.

Esse tipo de golpe é conhecido como “isca de celebridade”. Ele explora a credibilidade de figuras públicas para enganar consumidores. Como consequência, muitas pessoas acabam acreditando nas promessas e realizando compras online.

O caso de Drauzio Varella

Entre as vítimas da manipulação está o médico Drauzio Varella. Ele relatou publicamente que há anos tenta retirar vídeos falsos que utilizam sua imagem sem autorização. Segundo o médico, os anúncios afirmavam que ele indicava produtos capazes de curar doenças graves.

Em um relato, Drauzio afirmou que ficou indignado ao ver seu nome associado a promessas enganosas. Ele destacou que construiu sua carreira ao longo de quase seis décadas e que é frustrante ter sua reputação usada em golpes. Além disso, explicou que chegou a procurar o Ministério Público de São Paulo para denunciar a situação.

O médico também comentou sobre a dificuldade de contato com a plataforma. De acordo com ele, muitas mensagens enviadas não receberam resposta ou resultaram apenas em retornos automáticos. Esse cenário mostra como o problema é complexo e exige medidas mais firmes.

Medidas adotadas pela empresa

A Meta informou que tomou diversas providências. Entre elas, a suspensão de métodos de pagamento utilizados pelos envolvidos. Também houve desativação de contas e bloqueio de domínios de sites ligados aos golpes.

Além disso, a empresa decidiu recorrer à Justiça para responsabilizar os suspeitos. Segundo comunicado oficial, o objetivo é enviar uma mensagem clara de que práticas fraudulentas não serão toleradas. A companhia reforçou que continuará investindo em sistemas de detecção e em parcerias com autoridades.

Casos semelhantes também ocorreram em outros países. Na China, por exemplo, a empresa Shenzhen Yunzheng Technology Co. foi processada por utilizar imagens de celebridades em anúncios falsos voltados a usuários dos Estados Unidos e do Japão. Já no Vietnã, o grupo liderado por Lý Van Lâm é acusado de divulgar promoções falsas de marcas conhecidas, como a Longchamp.

Impacto global dos golpes

O problema não se limita ao Brasil. Personalidades do mundo inteiro enfrentam situações parecidas. O comentarista econômico Martin Wolf, do jornal Financial Times, também denunciou vídeos manipulados com sua imagem. Os conteúdos falsos promoviam supostos grupos de investimento e alcançaram centenas de milhares de usuários na União Europeia.

Esses episódios mostram que o uso indevido de inteligência artificial tem alcance internacional. Além disso, revelam como as plataformas digitais se tornaram terreno fértil para fraudes sofisticadas. Deepfakes ameaçam a confiança digital porque confundem até mesmo usuários atentos.

Portanto, é fundamental que empresas de tecnologia, autoridades e usuários atuem juntos. A educação digital também se torna essencial. Quanto mais as pessoas souberem identificar sinais de fraude, menor será o impacto desses golpes.

Desafios no combate às fraudes

Apesar das ações judiciais, o combate aos deepfakes ainda é desafiador. A tecnologia evolui rapidamente. Ao mesmo tempo, criminosos adaptam suas estratégias para escapar dos sistemas de verificação.

Por outro lado, ferramentas de inteligência artificial também estão sendo usadas para detectar manipulações. Plataformas investem em sistemas automatizados que analisam padrões suspeitos. No entanto, a velocidade de criação dos conteúdos falsos ainda preocupa especialistas.

Diante desse cenário, especialistas recomendam cautela ao consumir conteúdos nas redes sociais. É importante desconfiar de promessas milagrosas. Também vale verificar se a informação aparece em fontes confiáveis.

A ação da Meta representa um passo importante. Contudo, o problema exige esforço contínuo e cooperação internacional. Afinal, a internet não tem fronteiras.

Perguntas frequentes

O que é um deepfake?

É um vídeo ou áudio manipulado por inteligência artificial para parecer real, alterando rosto ou voz de uma pessoa.

Por que os deepfakes são perigosos?

Porque podem enganar usuários, espalhar desinformação e aplicar golpes financeiros usando a imagem de pessoas conhecidas.

Quais medidas a Meta adotou?

A empresa suspendeu contas, bloqueou pagamentos, retirou domínios do ar e entrou com processos judiciais contra os envolvidos.

Como se proteger de anúncios falsos?

Desconfie de promessas milagrosas, verifique fontes confiáveis e evite clicar em links suspeitos ou fornecer dados pessoais sem confirmação.

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