A partir de março de 2026, o Brasil passou a ter uma das regras mais rígidas do mundo para o acesso de crianças e adolescentes às plataformas digitais. O novo ECA Digital elevou a idade mínima para o uso de redes sociais, aplicativos de mensagens e ferramentas de inteligência artificial, exigindo ao mesmo tempo que as plataformas adotem mecanismos de verificação de idade e controles parentais.

A medida, coordenada pelo Ministério da Justiça, divide os usuários entre maiores de 16 anos, que podem acessar redes sociais e aplicativos com coleta de dados, e maiores de 18, que têm acesso a plataformas de conteúdo adulto, apostas e ferramentas de IA para manipulação de áudio e vídeo.

A lei coloca o Brasil ao lado da Europa, onde normas semelhantes já operam, e segue um movimento global liderado pela Austrália, que baniu o acesso de menores de 16 anos às principais plataformas sociais em dezembro de 2025.

O que muda na prática

Plataformas como Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X precisam implementar sistemas que identifiquem usuários abaixo da idade mínima e bloqueiem o acesso. Aplicativos de coleta de dados ou com rolagem infinita ficam restritos a maiores de 16. Ferramentas de IA que manipulam áudio ou vídeo, como os geradores de deepfake, passam a ser acessadas apenas por adultos.

O Ministério da Justiça deixou uma porta aberta. Plataformas que comprovarem controles robustos de segurança, moderação de conteúdo e controle parental eficaz poderão pedir redução da faixa etária para seus serviços específicos.

A verificação de idade e o conflito com a LGPD

Confirmar a idade de usuários exige coleta de dados sensíveis, como documentos ou dados biométricos, o que cria uma tensão direta com a Lei Geral de Proteção de Dados. Sistemas mais robustos de verificação coletam mais informação pessoal, o que pode contrariar os princípios de minimização de dados da LGPD.

Especialistas em direito digital apontam que o governo precisará definir padrões técnicos claros para que as plataformas saibam exatamente o que é aceito como método de verificação sem violar a privacidade dos usuários adultos no processo.

O que o Brasil aprendeu com a Austrália

A experiência australiana serviu de referência para os legisladores brasileiros. Desde a entrada em vigor da proibição australiana, mais de 4,7 milhões de contas identificadas como de menores de 16 anos foram desativadas ou restringidas. O número impressiona, mas a discussão sobre quantas contas falsas foram simplesmente recriadas ainda não tem resposta definitiva.

O Brasil optou por uma abordagem ligeiramente diferente ao deixar abertura para plataformas que demonstrem segurança efetiva. A ideia, nas palavras do Ministério da Justiça, não é apenas subir a classificação etária, mas estimular produtos mais seguros.

As idades mínimas por categoria

O ECA Digital estabelece um escalonamento por tipo de plataforma. Redes sociais, filtros de imagem e aplicativos com coleta de dados ou rolagem infinita ficam liberados apenas para maiores de 16 anos. Plataformas de conteúdo adulto, apostas, aplicativos de relacionamento e ferramentas de IA para manipulação de áudio e vídeo são exclusivas para maiores de 18 anos. Aplicativos de mensagens seguem regras específicas dependendo de seus recursos de coleta e monitoramento.

O que muda para pais e escolas

A lei reforça a responsabilidade das famílias ao exigir que plataformas ofereçam controles parentais compatíveis com as novas regras. Pais poderão acompanhar e limitar o uso de aplicativos por filhos menores diretamente pelo painel da plataforma. Escolas também recebem orientações para atualizar seus protocolos de uso de dispositivos e redes durante o período letivo.

Perguntas frequentes

A partir de quando as novas regras valem

As regras do ECA Digital entraram em vigor em março de 2026, com período de adaptação para as plataformas implementarem os mecanismos necessários.

Quais plataformas estão proibidas para menores de 16 anos

Redes sociais em geral, aplicativos com coleta de dados e plataformas com rolagem infinita. Ferramentas de IA para manipulação de áudio e vídeo são exclusivas para maiores de 18 anos.

Como as plataformas vão verificar a idade dos usuários

A lei exige mecanismos de verificação, mas os padrões técnicos específicos ainda estão em definição pelo governo, dentro dos limites da LGPD.

O que acontece com contas de menores já existentes

As plataformas precisam identificar e restringir contas de usuários abaixo da idade mínima, seguindo os procedimentos definidos pela regulamentação.

Há punição para plataformas que descumprirem

Sim. Plataformas que não implementarem os controles exigidos estão sujeitas a multas e outras sanções previstas no ECA Digital e na LGPD.

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