A janela de IPOs de tecnologia em 2026 entrou em alta velocidade. SpaceX, OpenAI, Anthropic e Canva concentram a maior parte da expectativa do mercado, com valuations combinados que ultrapassam US$ 4 trilhões. As quatro empresas estão em estágios diferentes de preparação para abertura de capital, e os próximos meses devem definir o ritmo de captação pública do setor pela década inteira.
O cenário destrava um movimento que estava represado desde 2021. A Cerebras Systems abriu capital no dia 14 de maio de 2026 e a ação subiu 68% no primeiro pregão, segundo dados da Nasdaq. Esse desempenho funcionou como termômetro para os quatro nomes que dominam a fila e mostrou que o apetite institucional está alto, especialmente para teses ligadas à inteligência artificial.
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SpaceX prepara o maior IPO da história
A empresa de Elon Musk é a mais próxima da estreia. A SpaceX entregou seu S-1 confidencialmente à SEC em abril e, segundo a Reuters, o prospecto público deve ser divulgado até 20 de maio. O roadshow com investidores institucionais começa em 4 de junho, com precificação prevista para 11 de junho e estreia na Nasdaq em 12 de junho de 2026, sob o ticker SPCX.
A captação pretendida é de US$ 75 bilhões, com valuation entre US$ 1,75 trilhão e US$ 2 trilhões. Em qualquer cenário, será a maior abertura de capital já realizada, superando os US$ 29 bilhões da Saudi Aramco em 2019. A estrutura contém ações de classe dupla, que mantêm o controle de voto com Musk e executivos internos.
O motor financeiro é a Starlink, que fechou 2025 com mais de 9 milhões de assinantes e receita estimada em US$ 15,8 bilhões. A projeção da Morningstar aponta US$ 19,9 bilhões em 2026 e US$ 149,4 bilhões em 2040. A SpaceX também anunciou um desdobramento de 5 para 1 nas ações antes da estreia, ajustando o valor unitário para US$ 105,32.
Os riscos da megaoperação
O múltiplo de preço sobre vendas está entre 109 e 116 vezes a receita de 2025. Para justificar o preço, a SpaceX precisa executar com perfeição em lançamentos, Starlink, Starship e nos serviços diretos para dispositivos móveis. A concorrência do Project Kuiper da Amazon e da OneWeb também pressiona margens. Em fevereiro de 2026, a SpaceX se fundiu com a xAI em operação avaliada em US$ 250 bilhões, criando uma entidade combinada que o mercado já apelidou de SpaceXAI.
OpenAI mira o quarto trimestre de 2026
A dona do ChatGPT trabalha em ritmo acelerado para estrear no quarto trimestre, segundo apurações da CNBC e do Wall Street Journal. Fidji Simo, CEO de Applications da OpenAI, reuniu funcionários em março e disse que a empresa está “orientando agressivamente” para casos de uso de alta produtividade, com foco no segmento enterprise, que já representa mais de 40% da receita.
A OpenAI completou em março um aporte histórico de US$ 122 bilhões, com Amazon contribuindo US$ 50 bilhões e Nvidia e SoftBank com US$ 30 bilhões cada. A rodada elevou o valuation para US$ 852 bilhões. A receita anualizada passou de US$ 20 bilhões em janeiro de 2026, segundo a CFO Sarah Friar, e o ChatGPT ultrapassou 900 milhões de usuários ativos semanais.
O IPO deve captar entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões, vendendo entre 10% e 20% do capital. Os riscos são relevantes. A empresa projeta prejuízo de US$ 14 bilhões em 2026 e não espera lucratividade antes de 2030. O HSBC calcula uma necessidade adicional de US$ 207 bilhões em funding até o fim da década para manter as operações no ritmo atual.
Anthropic pode ultrapassar a OpenAI no valuation privado
A criadora do Claude vive uma reprecificação explosiva. A Bloomberg reportou em 12 de maio que a Anthropic negocia rodada de no mínimo US$ 30 bilhões com valuation pré-money acima de US$ 900 bilhões. Se confirmada, a empresa supera a OpenAI no valor de mercado privado pela primeira vez.
O salto é vertiginoso. A Anthropic foi avaliada em US$ 18 bilhões em 2023 e fechou a Série G de fevereiro de 2026 em US$ 380 bilhões. A receita anualizada saltou de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para mais de US$ 30 bilhões em maio de 2026, com fontes da TechCrunch apontando que o número real está próximo de US$ 40 bilhões. As margens brutas passaram de 70%, e oito empresas da Fortune 10 já são clientes do Claude.
Mais de mil clientes corporativos gastam pelo menos US$ 1 milhão anuais com a plataforma. A Anthropic contratou o escritório Wilson Sonsini para preparar o IPO e mantém conversas preliminares com bancos de Wall Street. A janela mais provável é outubro de 2026, com captação estimada acima de US$ 60 bilhões. O Metaculus, plataforma de previsões, atribui 66% de probabilidade de protocolo do S-1 antes de 1º de julho de 2026.
O acordo com a SpaceX
Em 6 de maio, a Anthropic anunciou um acordo de computação com a SpaceX que dá acesso a mais de 300 megawatts de capacidade e 220 mil GPUs Nvidia ainda neste mês. O contrato resolve o gargalo de infraestrutura que vinha pressionando a empresa e reforça o pitch para investidores públicos.
Canva conclui preparação para listagem em Nasdaq
A empresa australiana de design está numa posição diferente das outras três. Trata-se de um caso clássico de SaaS lucrativo, com oito anos consecutivos no azul, ARR de US$ 4 bilhões e crescimento de 35% ao ano. O valuation estabelecido em agosto de 2025, em oferta de ações para funcionários, foi de US$ 42 bilhões. A Nasdaq Private Market estimou em maio de 2026 o preço por ação em US$ 1.695,51.
A Canva confirmou preparação para listagem na Nasdaq, não na ASX australiana. Em março de 2024, o COO Cliff Obrecht disse à Bloomberg que as condições de mercado se tornaram mais atrativas porque o público está pagando múltiplos maiores que o privado. A janela mais discutida é o segundo semestre de 2026.
A base de usuários soma 265 milhões de pessoas ativas mensais em 190 países, com 27 milhões de assinantes pagos. O segmento enterprise responde por 20% da receita e mostra expansão acelerada. O Blackbird Ventures, maior investidor de venture da empresa, já informou aos seus cotistas que a Canva está pronta para IPO no segundo semestre.
O que esses IPOs significam para o mercado
O efeito conjunto desses quatro IPOs pode reorganizar o fluxo de capital no mercado público americano. A MSCI alertou em fevereiro que megaofertas de 2026 podem provocar realocações bilionárias em índices passivos e drenar liquidez de outras ações. A Nasdaq já ajustou as regras de inclusão, permitindo entrada acelerada no índice Nasdaq-100 para empresas no top 40 de market cap, 15 pregões após a estreia.
Sam Lessin, da Slow Ventures, resumiu o clima ao dizer que é difícil prestar atenção em qualquer outra coisa diante dos US$ 3 trilhões de IPOs que devem chegar nos próximos doze meses. A combinação de SpaceX, OpenAI e Anthropic forma um bloco sem precedentes, e a Canva entrega o caso mais convencional do grupo, com lucro consolidado e crescimento sustentável.
Perguntas frequentes
Qual desses IPOs deve acontecer primeiro
A SpaceX tem o cronograma mais avançado, com estreia prevista para 12 de junho de 2026 sob o ticker SPCX na Nasdaq. As outras três miram o segundo semestre de 2026.
O investidor brasileiro pode comprar essas ações
Sim, através de corretoras brasileiras com acesso ao mercado americano via BDR ou conta internacional. Algumas casas oferecem reserva de ações no IPO para investidores qualificados. Após o início da negociação, qualquer investidor pode comprar pelo home broker da corretora.
Esses IPOs são investimentos seguros
Nenhum IPO é isento de risco. Os múltiplos atuais exigem execução quase perfeita por anos. Histórico recente mostra forte volatilidade. A Figma estreou em julho de 2025 a US$ 33, subiu para US$ 142 no segundo dia e desabou para US$ 24 em fevereiro de 2026.
Qual a maior diferença entre OpenAI e Anthropic
A OpenAI tem mais escala no consumidor final com o ChatGPT, enquanto a Anthropic concentra força no segmento corporativo com o Claude, com margens brutas superiores e um caminho mais claro até a lucratividade. As duas competem diretamente pelos mesmos contratos enterprise.
Por que a Canva escolheu Nasdaq em vez da bolsa australiana
A maioria dos investidores institucionais da empresa está nos Estados Unidos, e o múltiplo médio das empresas de SaaS na Nasdaq é superior ao praticado na ASX. A listagem americana também dá acesso mais profundo a fundos passivos via inclusão em índices.


























