A Meta anunciou nesta segunda-feira (26) um plano de captação de até US$ 95 bilhões por meio da venda de ações para financiar sua expansão em inteligência artificial. É um dos maiores movimentos de financiamento já feitos por uma big tech com esse objetivo e mostra o tamanho da conta que a corrida por IA passou a cobrar das empresas.

O plano tem duas partes. Cerca de US$ 35 bilhões serão levantados já em ofertas públicas simultâneas. Outros US$ 60 bilhões, no máximo, virão de um programa de venda direta de ações no mercado, que só começa depois que as ações Classe C passarem a ser negociadas. Os termos e o calendário dessa segunda etapa ainda não foram definidos.

A notícia pesou na bolsa. Segundo relatos de veículos internacionais, as ações da empresa fecharam em queda, com perdas que variam de 7% a 9,4% conforme a fonte consultada.

COMO FUNCIONA A CAPTAÇÃO

Dos US$ 35 bilhões das ofertas imediatas, cerca de US$ 22,5 bilhões correspondem a ações ordinárias Classe A. Os cerca de US$ 12,5 bilhões restantes vêm de recibos de depósito ligados a ações preferenciais obrigatoriamente conversíveis, um instrumento que depois se transforma em ações comuns.

O programa de US$ 60 bilhões funciona de outra forma. Em vez de uma grande oferta pontual, a empresa vende ações aos poucos, direto no mercado, conforme a conveniência. Esse modelo dá flexibilidade, mas também mantém uma pressão contínua sobre o preço dos papéis enquanto durar.

POR QUE A META PRECISA DE TANTO DINHEIRO

A empresa projeta investimentos de capital entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026. O dinheiro vai para data centers, chips e energia, parte do que a companhia chama de busca por uma superinteligência pessoal.

A Meta afirma que está construindo quatro superclusters de computação, cada um com mais de um gigawatt de capacidade, e que deve quase dobrar a capacidade total de infraestrutura ainda este ano. Para efeito de comparação, um gigawatt é a potência que abastece uma cidade de porte médio.

O QUE A EMPRESA DIZ SOBRE O RETORNO

Em comunicado, a Meta sustenta que os investimentos em IA já geram resultado. A empresa cita mais engajamento dos usuários, melhor desempenho dos anúncios e ampliação das formas de monetização.

Os números de caixa ajudam a explicar o tamanho da operação. O fluxo de caixa operacional somou US$ 97 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, e a empresa tinha cerca de US$ 82 bilhões em caixa, equivalentes e títulos negociáveis no fim do terceiro trimestre. Mesmo com esse volume, o plano de investimentos exige recorrer ao mercado.

O CONTEXTO DOS PLANOS PAGOS DE IA

A captação chega logo depois do lançamento do Meta One, uma assinatura de IA com planos individuais e para criadores e empresas. Os preços começam em US$ 2,99 por mês para produtos avulsos, sobem para US$ 7,99 nos pacotes individuais e chegam a US$ 14,99 nos pacotes para criadores e negócios. O Meta AI continua gratuito.

O QUE MUDA PARA OS INVESTIDORES

Quando uma empresa emite um volume tão grande de ações, os acionistas atuais passam a ter fatia menor do negócio, o que se chama diluição. Foi esse o ponto que alimentou a reação negativa do mercado, mesmo com os resultados operacionais sólidos.

Também chama atenção a mudança de postura. Big techs bancavam a corrida por IA principalmente com o próprio caixa. Recorrer a uma oferta dessa escala indica que o ritmo de gastos passou a exigir fontes externas de dinheiro.

PERGUNTAS FREQUENTES

Quanto a Meta pretende levantar ao todo?

Até US$ 95 bilhões, sendo cerca de US$ 35 bilhões em ofertas públicas imediatas e até US$ 60 bilhões em um programa de venda direta de ações.

Para que serve o dinheiro?

A empresa quer financiar a expansão da infraestrutura de IA, incluindo quatro superclusters de computação com mais de um gigawatt cada.

Quanto a Meta vai investir em 2026?

A projeção de investimentos de capital para o ano está entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões.

As ações da Meta caíram?

Sim. Relatos da imprensa internacional apontam queda entre 7% e 9,4% no dia do anúncio, dependendo da fonte.

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