A Microsoft decidiu que o Windows precisa de menos memória. Pavan Davuluri, presidente de Windows e Dispositivos da empresa, afirmou em um post de blog que reduzir o consumo de RAM do sistema virou prioridade de engenharia, com o objetivo de fazer o Windows 11 rodar bem em computadores com apenas 8 GB.

O anúncio chega num momento difícil para quem compra ou mantém PCs. O preço da memória quadruplicou com a demanda dos data centers de inteligência artificial, e máquinas baratas ficaram mais caras ou mais limitadas. O Tecnoblog destacou, no título de uma reportagem de 3 de novembro, que o Windows pode ficar até 40% mais rápido em equipamentos com 8 GB. Outros veículos citam percentuais diferentes, e a própria Microsoft não deu data de entrega.

Vale entender o que muda de fato, o que ainda é promessa e por que a empresa resolveu olhar para os PCs simples justamente agora.

O QUE A MICROSOFT PROMETEU

De acordo com o The Next Web, o plano tem três frentes. A primeira é um alocador de memória mais eficiente dentro do próprio Windows. A segunda é o ajuste de desempenho do WinUI 3, a estrutura usada pelos aplicativos modernos do sistema. A terceira é a melhoria de eficiência do Chromium e do WebView2, o motor de navegador que sustenta o Edge e muitos outros programas.

Davuluri tratou o trabalho como um esforço ativo de engenharia, e não como pesquisa de longo prazo. Mesmo assim, não apresentou um calendário. As mudanças no alocador e no WinUI 3 devem chegar em atualizações futuras do Windows 11, sem versão definida.

POR QUE 8 GB AINDA IMPORTAM

Boa parte dos computadores em uso no mundo tem 8 GB de RAM ou menos. Os donos dessas máquinas não estão trocando de equipamento, em parte porque a memória para upgrade ficou duas ou três vezes mais cara. Se o sistema operacional pesa demais, a alternativa passa a ser migrar para um Chromebook ou continuar em versões antigas do Windows.

Para o usuário brasileiro, que costuma manter o notebook por muitos anos, a notícia tem peso prático. Um Windows mais enxuto pode adiar uma compra que o orçamento não comporta.

O LIMITE DA PROMESSA

O próprio texto do The Next Web faz uma ressalva importante. As mudanças não vão transformar uma máquina de 8 GB em uma de 16 GB. A aposta da Microsoft é cortar o excesso do sistema para manter equipamentos mais antigos e baratos úteis por mais tempo.

O PROBLEMA DOS COPILOT+ PCS

A mudança de rumo tem ligação direta com a estratégia de IA. Os computadores Copilot+ exigem uma unidade de processamento neural de 40 trilhões de operações por segundo e pelo menos 16 GB de RAM. Na prática, isso deixou de fora quase todos os modelos de entrada.

Segundo o mesmo relato, a Microsoft já vem recuando em algumas ambições de IA nos equipamentos mais baratos. O Copilot passou a poder ser desinstalado, e a empresa lançou notebooks Surface com 8 GB sem a marca Copilot+. O texto cita ainda que apenas 3,3% dos usuários teriam pago pelo serviço.

A CRISE DA MEMÓRIA POR TRÁS DO MOVIMENTO

Os data centers de IA consomem enormes volumes de memória de alta largura de banda, o que aperta a oferta de chips para o consumidor. A Samsung declarou que a escassez só deve aliviar em 2028. A consultoria Gartner estima que a memória já representa 23% do custo de materiais de um PC típico e projeta que o segmento de computadores abaixo de US$ 500 pode praticamente desaparecer até 2028.

Os efeitos aparecem em outros produtos. A Microsoft subiu pela terceira vez no ano o preço do Xbox e apontou o custo da memória como fator central. A Intel, por sua vez, lançou o Project Firefly, uma iniciativa para redesenhar a arquitetura dos PCs em torno de orçamentos de memória menores.

O QUE O USUÁRIO PODE FAZER ENQUANTO ESPERA

Enquanto as otimizações não chegam, algumas medidas ajudam em um PC com 8 GB. Reduzir os programas que abrem junto com o sistema, limitar o número de abas abertas no navegador e desativar aplicativos em segundo plano que não são usados costuma liberar memória. Ferramentas internas do Windows mostram quais processos consomem mais RAM.

Também vale conferir os números com cautela. Percentuais de ganho divulgados em títulos variam entre veículos e dependem do teste. Testes independentes após a chegada das atualizações serão a referência mais confiável.

PERGUNTAS FREQUENTES

QUANDO A OTIMIZAÇÃO CHEGA AO WINDOWS 11?

A Microsoft não informou data. As melhorias devem vir em atualizações futuras, sem versão confirmada.

O WINDOWS 11 VAI FICAR 40% MAIS RÁPIDO?

O número apareceu em uma reportagem do Tecnoblog, mas outros veículos citam percentuais menores. O ganho real depende do equipamento e do uso.

POR QUE A MEMÓRIA RAM FICOU TÃO CARA?

Os data centers de IA absorvem grande parte da produção de chips de memória, o que reduz a oferta para PCs e celulares e eleva os preços.

PRECISO TROCAR DE COMPUTADOR POR CAUSA DISSO?

Não necessariamente. A proposta da Microsoft é justamente manter máquinas de 8 GB úteis por mais tempo.

Fontes: The Next Web e Tecnoblog.

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