O Google I/O 2026 transformou inteligência artificial na espinha dorsal de praticamente todos os produtos da empresa. O evento desta terça-feira, 19 de maio, no Shoreline Amphitheatre em Mountain View, marcou a estreia de uma nova geração de modelos Gemini, a expansão do AI Mode na Busca, novos dispositivos Android XR e uma série de ferramentas voltadas para agentes autônomos.
Sundar Pichai e Demis Hassabis comandaram o palco com um recado direto. O Google quer que o Gemini deixe de ser apenas um chatbot e se torne a camada de inteligência presente em busca, Android, Workspace, YouTube e dispositivos do dia a dia. A mensagem ficou clara nos números apresentados. O AI Mode na Busca ultrapassou 1 bilhão de usuários mensais um ano após o lançamento, com volume de consultas dobrando a cada trimestre.
Índice
Gemini 3.5 Flash chega como novo modelo padrão
O Gemini 3.5 Flash estreou como o modelo principal do ecossistema Google. A empresa afirma que ele supera o Gemini 3.1 Pro em benchmarks de programação, agentes e multimodalidade, com velocidade quatro vezes maior em tokens por segundo. O modelo já está disponível no app Gemini, na Busca, no Antigravity 2.0 e na API a partir desta terça.
O Gemini 3.5 Pro está em fase de testes e chega ao público no próximo mês. A combinação entre inteligência avançada e capacidade agente é o posicionamento central da nova geração. O modelo executa tarefas complexas de múltiplos passos sem precisar de comandos intermediários.
Gemini Omni traz criação multimodal
O Google apresentou também a família Gemini Omni, uma nova linha que combina raciocínio com geração de conteúdo. O Gemini Omni Flash aceita imagem, áudio, vídeo e texto como entrada e produz vídeo fundamentado em conhecimento real, com edição facilitada. A funcionalidade chega aos planos AI Plus, Pro e Ultra no app Gemini, no Google Flow e no YouTube Shorts.
O Google publicou no X uma demonstração oficial do Gemini Omni gerando vídeo a partir de múltiplas entradas.
Busca ganha o maior upgrade em 25 anos
Elizabeth Reid, vice-presidente de Busca, anunciou a maior reformulação da caixa de pesquisa em mais de duas décadas. A nova interface incorpora inteligência diretamente no ponto de entrada da consulta, permitindo perguntas complexas e ações de agentes a partir de uma única linha de comando.
O AI Mode passou a usar o Gemini 3.5 Flash como modelo padrão globalmente. O Google também unificou AI Overviews e AI Mode em uma experiência contínua, onde o usuário transita entre resultados tradicionais, respostas geradas por IA e conversas de aprofundamento sem perder contexto. A atualização começou a chegar a desktop e mobile no mundo inteiro.
A Busca também ganhou agentes de informação e agentes de reserva. Os primeiros monitoram tópicos específicos e avisam quando algo relevante acontece, como uma colaboração de tênis de um atleta favorito. Os agentes de reserva vão além de restaurantes e podem ligar para empresas em nome do usuário em categorias como reparo doméstico, cuidados pessoais e veterinária.
Universal Cart unifica compras no ecossistema Google
O Universal Cart é um carrinho de compras movido por IA que funciona em Busca, app Gemini e, em breve, YouTube e Gmail. A proposta é eliminar a fricção de comprar em sites diferentes, centralizando pagamentos, entregas e acompanhamento em uma única interface conectada ao ecossistema da empresa.
Android XR e a aposta nos óculos inteligentes
O Android XR ganhou protótipos de óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com Samsung e Qualcomm. Os dispositivos colocam o Gemini diretamente no campo de visão do usuário, com navegação em tempo real, tradução instantânea, reconhecimento de objetos e conversação natural. A plataforma foi desenhada como ecossistema aberto, ao contrário do modelo fechado do Apple Vision Pro.
O Project Astra apareceu como motor por trás da maior parte dessa experiência. A tecnologia combina entrada de câmera, voz, memória e consciência de contexto em um assistente que opera continuamente em segundo plano. A demonstração mostrou o Astra integrado em óculos XR, smartphones e dispositivos de casa inteligente, identificando objetos e respondendo perguntas contextuais sobre o ambiente.
Novos planos e modelo de cobrança por computação
O Google reorganizou os planos pagos. O AI Ultra agora começa em US$ 100 por mês, com cinco vezes mais uso que o AI Pro. O antigo plano de US$ 250 foi rebaixado para US$ 200 mantendo as mesmas capacidades. O app Gemini abandonou o limite diário de prompts e passou a usar um modelo de computação usada, que considera complexidade do prompt, features acionadas e tamanho da conversa.
Os limites se renovam a cada cinco horas até atingir o teto semanal. O argumento da empresa é que um prompt de texto simples consome muito menos recurso do que uma geração de vídeo ou uma tarefa de programação complexa, e o novo modelo distribui o uso de forma mais justa.
Gemini Spark, Daily Brief e o avanço agentic
O Gemini Spark chega na próxima semana para assinantes do AI Ultra nos Estados Unidos. Trata-se de uma ferramenta de execução de tarefas complexas, voltada para usuários profissionais. Junto dele, o Daily Brief organiza um resumo personalizado do dia ao analisar Gmail, Calendar e Tasks, sugerindo próximos passos e prioridades.
O Daily Brief já está sendo liberado para AI Plus, Pro e Ultra nos EUA. A funcionalidade representa a primeira aplicação em massa de agentes proativos no ecossistema Google, e marca a transição do Gemini de assistente reativo para companheiro digital constante.
SynthID e a luta contra deepfakes
O Google expandiu o SynthID, sistema de marcação invisível de conteúdo gerado por IA, para fora do app Gemini. A verificação agora funciona na Busca e no Chrome, e o navegador passou a suportar Content Credentials no padrão C2PA. O usuário consegue checar se uma foto ou vídeo é original de câmera ou foi modificado por ferramentas de edição ou geração.
Googlebook entra no mercado de laptops com IA nativa
O Google anunciou o Googlebook, uma nova plataforma de laptops com inteligência artificial integrada desde o núcleo do sistema. As primeiras máquinas são produzidas em parceria com Acer, HP, Lenovo e Dell. O objetivo é competir com os Copilot+ PCs da Microsoft e oferecer uma alternativa pensada para o ecossistema Gemini.
Perguntas frequentes
Quando o Gemini 3.5 Flash fica disponível no Brasil
O Gemini 3.5 Flash começou a ser distribuído globalmente a partir de 19 de maio. O modelo já está ativo no app Gemini, na Busca e na API, com expansão gradual conforme a região.
Qual a diferença entre Gemini Flash e Gemini Pro
O Flash é otimizado para velocidade e custo, ideal para tarefas frequentes e respostas rápidas. O Pro entrega capacidade máxima de raciocínio, indicado para problemas complexos. O Gemini 3.5 Pro chega no próximo mês para usuários pagos.
O AI Mode da Busca substitui os resultados tradicionais
Não. O AI Mode convive com a busca clássica e o usuário escolhe entre os dois formatos. A unificação anunciada permite alternar entre eles sem perder o contexto da consulta.
O Googlebook é um sistema operacional novo
O Googlebook é uma plataforma de laptops com Gemini integrado em nível profundo, não um novo sistema operacional do zero. Os primeiros modelos chegam com fabricantes parceiros e arquitetura otimizada para tarefas de IA local e em nuvem.
O modelo de computação usada pode encarecer o serviço do Gemini
Para usuários de prompts simples, o novo modelo costuma ser mais generoso que o limite diário anterior. Quem usa muito geração de vídeo, programação pesada ou conversas extensas pode atingir o teto mais rápido. A renovação acontece a cada cinco horas até o limite semanal.
























