O relatório “State of Ransomware 2026”, divulgado pela Sophos em 15 de julho de 2026, acende um alerta urgente para empresas globalmente. O estudo revela uma mudança preocupante no panorama dos ataques cibernéticos: identidades comprometidas se tornaram o principal vetor de acesso inicial para ações de ransomware.
A pesquisa aponta que impressionantes 79% dos ataques de ransomware tiveram sua origem em credenciais roubadas ou de alguma forma comprometidas. Este dado supera significativamente a exploração de vulnerabilidades, que antes era o método preferencial dos cibercriminosos para invadir sistemas corporativos.
Esta nova realidade exige uma reavaliação das estratégias de segurança digital. A proteção de identidades e o gerenciamento rigoroso de acessos emergem como prioridades absolutas para mitigar os riscos de invasões e sequestros de dados.
Índice
O CRESCIMENTO DAS IDENTIDADES COMPROMETIDAS
O relatório da Sophos, que entrevistou mais de dois mil responsáveis por TI e cibersegurança em 17 países, detalha a ascensão vertiginosa do comprometimento de identidades. A porcentagem de 79% para este vetor de ataque demonstra uma clara preferência dos criminosos por explorar o elo humano e as falhas na gestão de senhas e autenticações.
Antes, a busca por falhas em softwares e sistemas operacionais dominava as estratégias de invasão. Agora, o foco está em obter acesso legítimo, ainda que de forma ilícita, a redes e dados. Isso permite que os atacantes se movimentem lateralmente dentro da infraestrutura comprometida com maior facilidade e por mais tempo sem serem detectados.
OUTROS VETORES DE ATAQUE PERSISTEM
Embora as identidades comprometidas liderem, outros métodos de acesso inicial continuam sendo relevantes. O estudo “State of Ransomware 2026” indica que emails maliciosos foram responsáveis por 26% das invasões. Estas mensagens contêm anexos perigosos ou links para sites fraudulentos, enganando usuários para que baixem malware ou revelem informações sensíveis.
As campanhas de phishing, projetadas para roubar credenciais diretamente, também representam um risco substancial, sendo o ponto de entrada em 24% dos casos. A combinação desses vetores mostra uma estratégia multifacetada dos cibercriminosos, que exploram tanto falhas técnicas quanto a engenharia social para atingir seus objetivos.
O CENÁRIO BRASILEIRO PREOCUPA
A situação no Brasil reflete e, em alguns aspectos, agrava a tendência global. Dados de junho de 2026 revelam um aumento alarmante de 44% nos ataques cibernéticos em território nacional. O país registrou uma média de 4.001 tentativas de ataque por semana, um volume que demonstra a intensidade da atividade criminosa.
O setor governamental permaneceu como o alvo principal desses ataques durante o mês de junho, evidenciando a vulnerabilidade de infraestruturas críticas e a atratividade desses dados para os cibercriminosos. A proteção de informações públicas e a continuidade dos serviços essenciais estão sob constante ameaça.
O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NOS ATAQUES
A ascensão da inteligência artificial (IA) adiciona uma camada extra de complexidade ao cenário. O relatório da Sophos adverte sobre a utilização crescente de IA pelos cibercriminosos. Esta tecnologia pode acelerar de forma significativa a capacidade de identificar vulnerabilidades em sistemas e otimizar a criação de ferramentas de ataque.
A IA permite a automatização da busca por pontos fracos, a geração de emails de phishing mais convincentes e a adaptação de estratégias de invasão em tempo real. Isso exige que as defesas cibernéticas também evoluam, incorporando IA para detecção e resposta a ameaças.
FORTALECENDO AS DEFESAS CONTRA AMEAÇAS À IDENTIDADE
Diante deste cenário, as organizações precisam priorizar a segurança de suas identidades digitais. A implementação de autenticação multifator (MFA) em todos os pontos de acesso é uma medida essencial. A MFA adiciona uma camada de proteção que dificulta o uso de credenciais roubadas, mesmo que os criminosos as obtenham.
Gerenciamento de acesso privilegiado (PAM) e programas contínuos de conscientização de segurança para funcionários também são vitais. A educação dos usuários sobre os riscos de phishing e a importância de senhas fortes e únicas reduz a probabilidade de comprometimento inicial.
O FUTURO DA CIBERSEGURANÇA CORPORATIVA
A mudança no vetor de ataque principal, de vulnerabilidades para identidades, sinaliza uma evolução na estratégia dos cibercriminosos. As empresas não podem mais focar apenas na proteção de perímetro e na correção de falhas técnicas. A segurança deve ser centrada no usuário e no controle de acesso.
Investir em soluções que monitorem atividades incomuns de contas, detectem tentativas de acesso não autorizado e forneçam respostas rápidas a incidentes é fundamental. A postura proativa na defesa contra o ransomware envolve uma visão holística que abranja pessoas, processos e tecnologia.
PERGUNTAS FREQUENTES
O que é o relatório “State of Ransomware 2026”?
É um estudo anual da Sophos, divulgado em 15 de julho de 2026, que analisa as tendências e o impacto dos ataques de ransomware globalmente, com base em pesquisa com profissionais de TI e cibersegurança.
Qual a principal descoberta do relatório?
O relatório revela que 79% dos ataques de ransomware agora começam com identidades comprometidas, superando a exploração de vulnerabilidades como vetor de acesso inicial.
Como o Brasil se posiciona neste cenário?
O Brasil registrou um aumento de 44% nos ataques cibernéticos em junho de 2026, com 4.001 tentativas por semana, e o setor governamental foi o mais visado.
Que papel a inteligência artificial desempenha nos ataques?
Cibercriminosos utilizam IA para acelerar a identificação de vulnerabilidades e otimizar suas ferramentas de ataque, tornando as ameaças mais sofisticadas e difíceis de detectar.

























