A Sony removeu mais de 900 jogos da PlayStation Store após banir o estúdio brasileiro Afil Games de sua plataforma. A produtora, responsável por títulos como Collie Call e Cute Bonfire, confirmou em comunicários públicos que seu catálogo inteiro será retirado da loja digital da Sony após a implementação de novas diretrizes mais rígidas de publicação na plataforma. Além dos jogos já lançados, os próximos títulos da empresa também não estarão disponíveis no PlayStation 5.

A decisão da Sony está inserida em uma ofensiva mais ampla contra os chamados shovelware, termo do setor para jogos de baixa qualidade produzidos em massa com o objetivo de gerar lucro fácil. Só em 2026, dezenas de milhares de títulos já foram removidos da PlayStation Store. O caso da Afil Games chama atenção pela escala: mais de 900 jogos excluídos de uma única empresa brasileira. A produção da Afil era estruturada em código reaproveitado com variações visuais mínimas, com títulos vendidos a cerca de R$ 4 e listas de troféus extremamente fáceis de conquistar.

Como funcionava o modelo de negócios da Afil Games

O esquema seguia um padrão identificado pela Sony e pela comunidade de jogadores: copiar um núcleo de código base, trocar os ativos visuais com mínima diferenciação, lançar como um novo título a preço baixo e repetir. Com troféus simples de platinar em três minutos, esses jogos atraem colecionadores de conquistas e geravam volume suficiente de vendas para tornar o modelo lucrativo com dezenas de lançamentos por mês.

O problema para a Sony era duplo: a presença massiva de títulos de baixa qualidade dificultava a descoberta de jogos relevantes na loja e prejudicava a percepção da plataforma. Além disso, parte desses títulos era acusada de copiar conceitos visuais e mecânicas de jogos bem-sucedidos sem citar a origem, gerando reclamações recorrentes de jogadores que compravam achando que estavam adquirindo algo diferente.

A Afil nao e o primeiro caso de 2026

A ofensiva da Sony contra shovelware na PlayStation Store vem ganhando volume ao longo do ano. Em janeiro de 2026, a ThiGamesDE, editora que ocupava o quarto lugar em número de títulos na loja, teve mais de mil jogos removidos. Em junho, a Webnetic, com mais de 1.200 títulos, também foi atingida e confirmou saída definitiva da plataforma. O padrão das operações removidas era idêntico ao da Afil Games: código reutilizado, asset flips e troféus triviais.

Sony, Microsoft e Nintendo assinaram em conjunto uma declaração chamada Shared Commitment to Safer Gaming, comprometendo-se a tornar suas plataformas mais seguras e com melhor curadoria de conteúdo. O documento sinaliza que a pressão sobre esse tipo de publisher não é exclusiva de uma plataforma e tende a se intensificar.

A resposta da Afil Games

Em comunicários após o ban, a Afil Games afirmou estar comprometida em continuar ativa no mercado. A empresa confirmou que seus próximos lançamentos ocorrerão no Xbox One, Xbox Series, Microsoft Store e Nintendo Switch. Não houve menção à Steam, a maior loja de jogos para PC do mundo, que possui suas próprias políticas de curadoria por meio do sistema de avaliações de usuários.

A Microsoft não comentou publicamente se pretende adotar medidas similares contra esse tipo de publisher em sua própria plataforma. A Nintendo tem histórico de curadoria mais rigorosa, mas a escala de lançamentos voltados para trofeús é menor no Switch por conta da estrutura diferente de conquistas da plataforma.

O impacto para jogadores brasileiros

A Afil Games operava em português e tinha base de usuários significativa entre colecionadores de troféus no Brasil, onde a cultura de platinum hunting é ativa em fóruns e comunidades de PlayStation. Jogadores que já compraram títulos da produtora mantiveram o acesso às suas bibliotecas, pois a Sony não remove jogos já adquiridos. Apenas novas compras deixam de ser possíveis após a retirada da loja.

O caso levanta também um debate sobre as barreiras de entrada para pequenos estudiós independentes brasileiros na plataforma. Embora o ban tenha atingido uma operação estruturada em reaproveitamento massivo, as novas diretrizes da Sony podem criar restrições adicionais que afetam produtoras independentes legítimas sem o mesmo nível de clareza sobre o que é aceito.

Perguntas frequentes

O que é shovelware?

Shovelware é o termo do setor para jogos ou softwares de baixa qualidade produzidos em massa e lançados no mercado rapidamente para gerar lucro fácil. Geralmente reutilizam código, ativos visuais genéricos ou copiam mecânicas de jogos populares com mínima diferenciação.

Os jogadores que compraram títulos da Afil Games perderam o acesso?

Não. A Sony não remove jogos das bibliotecas de quem já os comprou. Apenas a possibilidade de novas compras é encerrada quando um título é retirado da loja.

Quantos jogos a Sony removeu em 2026?

Dezenas de milhares de títulos foram retirados da PlayStation Store somente em 2026, atingindo publishers como ThiGamesDE com mais de mil títulos, Webnetic com mais de 1.200 e agora Afil Games com mais de 900.

A Microsoft e a Nintendo tambem farao isso?

Sony, Microsoft e Nintendo já assinaram a declaração Shared Commitment to Safer Gaming. A tendência é de endurecimento em todas as plataformas, embora os critérios e o ritmo variem entre elas.

Isso afeta estudiós brasileiros independentes legitímos?

Há preocupação no setor sobre o impacto das novas diretrizes em pequenas produtoras independentes que não se enquadram no modelo shovelware. A Sony ainda não publicou documentação detalhada com critérios objetivos para diferenciação.

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