Brasília se consolida como epicentro de inovação tecnológica com o lançamento de The Collab, um hub de deep tech que propõe conectar corporações com startups de tecnologia avançada fora do eixo tradicional. O hub foi inaugurado em outubro de 2024 na Arena BRB Máné Garrincha, reunindo fundadores, investidores e líderes corporativos em torno de um projeto ambicioso: descentralizar inovação de alto impacto.
Os fundadores Priscila Toledo e Diego Aristides, por trás da holding Stellula.co, enxergaram uma lacuna. Startups deep tech (aquelas que resolvem problemas complexos usando tecnologias transformadoras) concentram-se no Sul e Sudeste, deixando Centro-Oeste, Norte e Nordeste sem acesso à infraestrutura de inovação necessária. The Collab surge para preencher esse vazio.
A iniciativa já provou sua relevância desde o dia de lançamento. A Caixa Econômica Federal, uma das maiores instituições financeiras do país, foi anunciada como primeira parceira corporativa do hub, solidificando um modelo que conecta capital, tecnologia e impacto social em escala.
Índice
MODELO DE CLUSTERS: VERTICAIS ESTRATÉGICAS
The Collab funciona através de clusters verticais, cada um especializando-se em um setor. Smart cities é um cluster que atrai startups focadas em mobilidade urbana, gestão de infraestrutura e energia inteligente. Saúde reúne inovações em telemedicina, diagnóstico assistido por IA e terapias avançadas. Sistema financeiro (fintech e infraestrutura de pagamento) ocupa sua própria vertical. Políticas públicas e governança integram startups que resolvem desafios do setor público.
Cada cluster tem um parceiro corporativo de referência. Essa estrutura não é aleatória. Um parceiro consolidado (como a Caixa em govtech) traz credibilidade, expertise e, crucialmente, capacidade de validação de mercado. Startups ganham mentor experiente. Corporações ganham acesso a inovações que poderiam levar anos para desenvolver internamente.
Essa segmentação permite profundidade. Em vez de tentar cobrir tudo, The Collab construiu excelência em verticais específicas. Startups selecionadas para cada cluster recebem mentoria contextualizada, networking direcionado e acesso a soluções de seus parceiros corporativos.
CAIXA ECONÔMICA E O CLUSTER GOVTECH
A parceria entre The Collab e Caixa exemplifica a dinâmica do modelo. O banco estatal criou seu próprio hub de inovação, o TEIA (Espaço TEIA), localizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, também em Brasília. Em vez de competirem, os dois hubs reconheceram complementaridade.
Diego Aristides, cofundador do The Collab, explicou a sinergia: Nossa parceria gera complementaridade. Eles trazem o lado da govtech e nós apoiamos com o lado de deeptech. E quando a gente faz parceria com uma empresa que tem acesso a 150 milhões de pessoas, isso faz com que a deep tech realmente aconça.
Essa dinâmica transforma abstrações em realidade. Startups de tecnologia avançada precisam de dois caminhos para sucesso: validação técnica (o hub fornece) e validação de mercado (o parceiro corporativo fornece). A Caixa, acessível a 150 milhões de brasileiros, oferece escala que qualquer startup sonharia atingir sozinha.
ECOSISTEMA DE CAPITAL E VENTURE
A Caixa planeja lançar em 2025 um Corporate Venture Capital (CVC) dotado com R$ 100 milhões especificamente para investir em startups de govtech. Esse fundo não é capital genérico. Ele concentra-se em startups que desenvolvem produtos de inovação para governos em âmbito federal, estadual e municipal.
O CVC representa mudança estrutural. Capital corporativo historicamente flui para empresas maduras e de risco reduzido. Venture capital tradicional foca em startups de consumidor. Govtech ocupava espaço intermediário, com dificuldade de acesso a financiamento. O fundo da Caixa resolve isso diretamente.
Outras fontes de capital também gravitam em torno de The Collab. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e o sistema de venture capital privado percebem oportunidades. Startups selecionadas pelo hub recebem sinalização clara: Este projeto passou por filtros rigorosos. Esse selo reduz percepção de risco dos investidores.
DEEP TECH: TECNOLOGIAS QUE RESOLVEM PROBLEMAS COMPLEXOS
Deep tech não significa apenas usar inteligência artificial. O termo abrange tecnologias baseadas em ciência (física, biologia, materiais, química) que resolvem problemas onde solução tradicional não funciona. Um exemplo: startups desenvolvendo carteiras digitais capazes de transacionar diferentes ativos, com foco no DREX (Real Digital), moeda digital brasileira prevista para 2025.
A Caixa procura ativamente essas startups. Via centro de excelência em inteligência artificial do hub, institui busca ativa por inovações em DREX, infraestrutura financeira digital e serviços ao cidadão via tecnologias emergentes. O banco não espera que startups batem na porta. Vai ao encontro delas.
Esse modelo inverso (corporação buscando startup, em vez de startup vendendo para corporação) reduz assimetria de informação. Startups ganham confiança de que seu trabalho tem aplicação real. Corporações ganham visibilidade antecipada sobre tendências tecnológicas.
INFRAESTRUTURA FÍSICA E CONEXÃO
The Collab oferece espaço físico onde startups trabalham lado a lado. Isso não é detalhe cosmético. Concentração física reduz atrito. Uma startup de saúde conversa casualmente com uma de smart cities no café. Ideias cruzam fronteiras. Integrações surgem. Parcerias nascem espontaneamente.
Salas de reunião, estúdios audiovisuais, espaços de descompres são e áreas de trabalho colaborativo compõem a infraestrutura. Cada detalhe foi pensado para facilitar colaboração e criar ambiente propício para criatividade. Startups não pagam por espaço. Pagam em resultado e crescimento.
Uma plataforma digital complementa o espaço físico, criando camada de conectividade que persiste além do hub. Comunicação, capacitação, inteligência de mercado e conexão fluem através dessa infraestrutura digital. Startups localizada em Cuiabá, Rio Branco ou Maceió acessam recursos do hub remotamente.
FOCO EM REGIÕES PERIFÉRICAS
O projeto explicita ambição de descentralizar inovação. Centro-Oeste, Norte e Nordeste historicamente recebem menos investimento em tech. The Collab inverte essa equação. Brasília, localizada no coração do país, funciona como hub irradiador de inovação para três regiões que somam 40% da população brasileira.
Esse foco geográfico não é caridade. Essas regiões enfrentam desafios específicos (governança municipal frágil, serviços de saúde dispersos, infraestrutura limitada) que geram oportunidades para startups deep tech. Uma solução de telemedicina tem mercado gigantesco no Norte. Governança municipal em municípios pequenos do Nordeste precisa de softwares inteligentes. The Collab conecta solução com problema.
MODELO DE RECEITA E SUSTENTABILIDADE
The Collab não vive de subsidíio permanente. Seu modelo de receita envolve taxas de equity sharing com startups aceleradas (participação acionária modesta em startups de sucesso), serviços corporativos (a Caixa e outros parceiros pagam pela acesso ao talent pipeline) e possível acesso a fundos públicos de inovação.
Essa diversificação reduz dependência de qualquer fonte única. O hub funciona como negócio real, não como organismo parasitário dependente de subsidíio indefinido. Essa auto-sustentabilidade aumenta longevidade e força a manter foco em resultados tangíveis.
PERGUNTAS FREQUENTES
Qual é o perfil de startup que The Collab busca?
O hub prioriza startups de deep tech com potencial de escala, alinhadas com os clusters estratégicos (smart cities, saúde, fintech, govtech). Equipe forte, problema bem definido e mercado validado são critérios. Não há limite de estágio (pré-revenue aceito), mas há seletividade alta.
Startups precisam estar localizadas em Brasília para participar?
Não. O hub aceita startups de qualquer região. Aquelas selecionadas para aceleração podem usar o espaço físico, mas plataforma digital permite participação remota total. O objetivo é conectar talento disperso com oportunidades, independente de localização.
The Collab oferece financiamento direto?
O hub em si não funciona como fundo. Facilita acesso a financiamento através de parceiros corporativos, CVCs como o da Caixa, e pela conexão com investidores. Startups aceleradas ganham credibilidade que abre portas junto a VC tradicionais.
Como startups se candidatam?
The Collab publica chamadas abertas periodicamente, com critérios específicos por cluster. Candidatos submetem pitch deck, team info e demonstração técnica. Seleção envolve análise de viabilidade, mercado e fit com objetivos do hub. Processo leva 4-6 semanas.
Qual é o compromisso esperado de uma startup acelerada?
Startups participam ativamente em programas de mentoria (mínimo 8 horas/semana), colaboram em eventos e showcases, e mantém comunicação com time do hub. Não há contrato rígido. Expectativa é engajamento genuíno com oportunidades de parceria e aceleração de crescimento.






















