Uma pesquisa da Toluna realizada com cerca de 800 brasileiros em dezembro de 2025 revelou que 27 por cento dos entrevistados pretendem reduzir o tempo de tela nas redes sociais ao longo de 2026. O Instagram lidera a lista das plataformas que os brasileiros querem usar menos, citado por 65 por cento dos respondentes. Facebook aparece em segundo lugar com 52 por cento, seguido por TikTok com 45, YouTube com 42 e X com 31 por cento.

Os dados revelam um fenômeno que especialistas chamam de fadiga digital: a exaustão causada pelo uso intenso e contínuo de plataformas sociais. A principal meta de quem quer se afastar das redes não é deletar contas, e sim substituir o tempo de tela por hábitos mais saudáveis, como a prática de atividade física, citada por 67 por cento como prioridade para 2026.

O movimento coincide com um momento em que as próprias plataformas enfrentam pressão regulatória e científica sobre os efeitos do uso excessivo entre adolescentes e adultos jovens.

O que é a fadiga digital

A fadiga digital descreve um estado de esgotamento causado pelo consumo excessivo de conteúdo em telas, especialmente em plataformas projetadas para maximizar o tempo de atenção. Algoritmos que entregam rolagem infinita, notificações constantes e conteúdo calibrado para prender o usuário contribuem para esse quadro.

Pesquisadores apontam que o fenômeno do FOMO, o medo de ficar de fora, que dominou o comportamento digital nos anos anteriores, deu lugar a uma exaustão dopaminérgica. Em vez de ansiedade por não participar, os usuários sentem cansaço de participar demais.

Por que o Instagram lidera a lista de cortes

O Instagram concentra 65 por cento das intenções de redução entre os brasileiros, um número que reflete tanto o tamanho da base de usuários quanto a natureza da plataforma. O feed de fotos e vídeos curtos, combinado com os recursos de Stories e Reels, cria um ciclo de consumo passivo difícil de interromper.

Além disso, o Instagram concentra grande parte das comparações sociais que os especialistas associam a impactos negativos na autoestima, especialmente entre mulheres e adolescentes. A plataforma já testou o ocultamento do contador de curtidas em alguns mercados como tentativa de reduzir esse efeito.

O paradoxo do X ficar por último

Apesar do frequente envolvimento em polêmicas desde a aquisição por Elon Musk, o X aparece em último lugar das plataformas que os brasileiros querem abandonar, com apenas 31 por cento. O dado sugere que os usuários do X desenvolveram uma relação diferente com a plataforma, marcada mais pela busca de informação e debate do que pelo consumo passivo de imagens.

A resposta das plataformas

As redes sociais começaram a adicionar ferramentas de bem-estar digital após pressão de reguladores e público. Instagram, TikTok e YouTube oferecem timers de uso, pausas programáveis e resumos semanais de tempo de tela. A eficácia dessas ferramentas depende do usuário optar por elas, o que é diferente de alterar o design da plataforma para reduzir o consumo.

Críticos apontam que empresa alguma tem incentivo financeiro real para fazer o usuário sair mais cedo. O modelo de negócio baseado em publicidade remunera o tempo de atenção, não o bem-estar.

Como o usuário pode reduzir o uso na prática

Especialistas em comportamento digital recomendam substituir o hábito passivo de rolagem por uma intenção clara antes de abrir o aplicativo. Definir um objetivo, postar algo específico ou checar uma mensagem, e sair logo depois reduz o tempo gasto sem a sensação de privacão. Tirar os aplicativos da tela inicial do celular, desativar notificações e estabelecer horários sem tela também são estratégias com respaldo científico.

Perguntas frequentes

Quantos brasileiros querem reduzir o uso de redes sociais em 2026

Segundo a pesquisa da Toluna com 800 brasileiros, 27 por cento pretendem diminuir o tempo de tela nas redes sociais ao longo de 2026.

Por que o Instagram é o principal alvo

Porque tem a maior base de usuários no Brasil e concentra mecanismos de consumo passivo, como feed, Stories e Reels, que contribuem para a fadiga digital.

Deletar as redes sociais resolve a fadiga digital

Não necessariamente. Especialistas recomendam uso intencional, com objetivos definidos, em vez de exclusão total, que pode gerar ansiedade por desconexão.

As plataformas oferecem ferramentas para controlar o uso

Sim. Instagram, TikTok e YouTube têm timers e resumos de uso, mas a eficácia depende do usuário ativar e respeitar esses limites.

A fadiga digital afeta a saúde mental

Pesquisas associam o uso excessivo de redes sociais a maior ansiedade e comparação social negativa, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.

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