A NASA prepara para o dia 27 de junho uma das operações espaciais mais inusitadas já planejadas pela agência: uma missao de resgate para salvar o Observatório Neil Gehrels Swift, telescopio espacial em funcionamento desde 2004 que está perdendo altitude rapidamente e corre risco de reentrar na atmosfera terrestre. A operação envolve o lançamento de uma nave robótica chamada LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space Technologies, com o objetivo de alcancar o observatório, acoplar-se a ele e impulsioná-lo para uma órbita mais alta.

O próprio responsável pela divisão de Astrofísica da NASA, Shawn Domagal-Goldman, resumiu o caráter excepcional da missao: segundo ele, ninguém achava que isso seria possível. O projeto foi aprovado em setembro de 2025 e a espaçonave ficou pronta em poucos meses, um tempo considerado recorde para o desenvolvimento de uma missao espacial com esse nível de complexidade. O lançamento ocorrerá a partir de uma aeronave Northrop Grumman L-1011, que soltará um foguete Pegasus XL no ar, levando o LINK diretamente ao espaço sem necessidade de plataforma terrestre.

Por que o Swift esta caindo

Lançado em novembro de 2004, o Swift foi criado para detectar explosões de raios gama, eventos extremamente energéticos que liberam, em poucos segundos, mais energia do que o Sol produzirá ao longo de toda a sua existência. Em mais de duas décadas de operacao, o observatório se tornou uma ferramenta irreplacável para a astronomia, incluindo o estudo do cometa interestelar 3I/ATLAS em atividades recentes.

O problema é físico e inevitável: o espaço nao é perfeitamente vazio. A atmosfera terrestre se estende gradualmente para além da superfície, criando um arrasto sutil mas constante sobre objetos em órbita. Quando o Swift foi lançado, orbitava a 600 quilômetros de altitude. Hoje está a cerca de 370 quilômetros e continua descendo. O fenômeno se acelerou nos últimos anos por causa do aumento da atividade solar, que aquece as camadas superiores da atmosfera e expande o alcance do arrasto. Em novembro de 2025, estimativas da NASA indicavam 50% de probabilidade de reentrada ate junho de 2026, e 90% de chance antes de 2027.

O que e e como funciona o LINK

A espaçonave LINK foi desenvolvida pela Katalyst Space Technologies com um investimento de US$ 30 milhões da NASA. Seu papel é estritamente mecânico: alcancar o Swift em órbita, acoplar-se a ele por meio de um sistema de captura robótica e usar seus próprios propulsores para elevar o telescopio de volta a uma altitude de 600 quilômetros. Se bem-sucedida, a missao pode estender a vida útil do observatório em pelo menos cinco anos.

O lançamento a partir de um avião tem vantagens práticas: o Pegasus XL largado no ar nao precisa vencer a fase mais densa da atmosfera a partir do solo, ganhando eficiência de combustível. A Katalyst já instalou a espaçonave no foguete e os testes no Centro de Voos Espaciais Goddard foram concluídos.

Os riscos da operacao

A missao não é sem riscos. Os paineis solares do LINK podem apresentar falhas durante o desdobramento. Os sistemas de propulsao podem não responder como esperado no vazio do espaco. O telescopio em si, após mais de 20 anos em órbita, pode ter componentes externos frágeis ou deformados pela exposiçao prolongada ao ambiente espacial, dificultando o acoplamento.

Existe ainda uma variável fora do controle humano: o Sol. Uma nova tempestade solar de grande intensidade poderia expandir a atmosfera temporariamente, acelerar a perda de altitude do Swift e reduzir a janela disponível para o resgate. Se o telescopio descer para menos de 300 quilômetros, a missao de resgate pode se tornar inviável.

Por que vale a pena tentar

Segundo o astrônomo Daniel Perley, citado pela revista Science, nao existe outro telescopio espacial com a flexibilidade necessária para observar alvos com a mesma frequência e tempo de resposta que o Swift. Sua capacidade de detectar explosiões de raios gama e redirecionar observações em minutos é única no arsenal atual da astronomia espacial. Reproduzir esse instrumento custaria muito mais do que os US$ 30 milhões investidos na missao de resgate.

Para a Katalyst, o sucesso da operação é também uma validação de modelo de negocio. A empresa aposta que o futuro da indústria espacial passa pela manutenção e pelo prolongamento da vida útil de satélites em órbita, em vez da substituição constante por novos equipamentos. Uma missao de resgate bem-sucedida com o Swift abriria um mercado inteiro de serviços de manutenção orbital.

Perguntas frequentes

Quando é o lançamento da missao de resgate?

O lançamento está previsto para 27 de junho de 2026, a partir de uma aeronave L-1011 da Northrop Grumman que soltará o foguete Pegasus XL com o LINK no ar.

O que acontece se o telescopio cair?

A maioria das peças seria destruida na reentrada. Fragmentos maiores poderiam sobreviver e atingir a superfície terrestre, mas a NASA geralmente calcula a trajetória e restringe a área de risco. A perda científica seria mais significativa: o Swift é irreplacável para a deteccao de explosoes de raios gama.

O que sao explosiões de raios gama?

São os eventos mais energéticos do universo observável. Em segundos, liberam mais energia do que o Sol produzirá em toda a sua existência. Ocorrem em galáxias distantes e estão associadas a colapsos de estrelas massivas ou fusões de estrelas de neutrons.

Quanto custou a missao?

A NASA destinou US$ 30 milhões à Katalyst Space Technologies para desenvolver o LINK. O valor é consideravelmente menor do que construíria um novo telescopio com capacidades equivalentes.

Se der certo, quantos anos o Swift ganha de vida?

A estimativa é de pelo menos cinco anos adicionais de operacao científica após a elevacao para 600 quilômetros de altitude.

Notícia anteriorSony bane estudio brasileiro e remove mais de 900 jogos da PlayStation Store
Próxima notíciaiOS 27 Beta 2 chega com nova Siri, Write with Siri e melhorias no Apple Intelligence