O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na noite de segunda-feira (28) uma decisão do colega Flávio Dino que havia liberado publicações nas redes sociais associando o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil. Com a medida, Fux restabeleceu uma ordem anterior do ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já havia determinado a retirada do conteúdo das redes, segundo informações da CNN Brasil e da Agência Brasil.

A decisão chega a menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e marca a terceira reviravolta em cinco dias em um caso que colocou plataformas como X, Meta, TikTok e Google no centro de uma disputa jurídica sobre desinformação e liberdade de expressão em período eleitoral.

Fux determinou ainda que as plataformas tenham 24 horas para restabelecer o cumprimento da ordem eleitoral original, sob pena de multa. Segundo o ministro, a suspensão da decisão de Dino tem caráter provisório e não encerra a discussão sobre o mérito, que ainda será analisada pelo plenário do STF.

COMO A POLÊMICA COMEÇOU

O episódio teve origem em 24 de setembro, quando o humorista Antônio Tabet publicou no X uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada de uma frase que associava a família Bolsonaro a um suposto ataque à santa. A publicação circulou em meio a boatos nas redes sociais de que Flávio Bolsonaro pretenderia retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil.

Segundo apuração da CartaCapital e do Brasil de Fato, a informação não tem relação direta com o candidato. O boato remete a um projeto de lei apresentado há quase duas décadas pelo então deputado Victório Galli, já arquivado pela Câmara dos Deputados e sem vínculo com a campanha de Flávio Bolsonaro em 2026.

A ORDEM DE ANDRÉ MENDONÇA NO TSE

Em 25 de setembro, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou que Tabet excluísse a publicação do X e proibiu a republicação do conteúdo, sob multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento, conforme noticiou o portal Metrópoles.

DINO SUSPENDE A DECISÃO E ENVIA O CASO AO PLENÁRIO

Dois dias depois, em 27 de setembro, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a ordem de Mendonça. De acordo com o ConJur, Dino considerou que a decisão da Justiça Eleitoral configurava censura prévia e avaliou não ser possível afirmar que a publicação de Tabet fizesse referência direta a Flávio Bolsonaro. Dino optou por remeter a discussão ao plenário do STF, para que o colegiado decidisse sobre o mérito da questão.

FUX REVERTE DINO E COBRA AS PLATAFORMAS

Na segunda-feira (28), a campanha de Flávio Bolsonaro recorreu novamente, agora a Fux, pedindo a derrubada da decisão de Dino. Segundo a CNN Brasil e o Correio Braziliense, Fux atendeu ao pedido, suspendeu a decisão do colega e determinou que X, Meta, TikTok e Google voltassem a cumprir a ordem eleitoral de retirada dos posts, com prazo de 24 horas.

Para Fux, a proximidade das eleições e o risco de que decisões sucessivas sobre o mesmo conteúdo produzissem efeitos antes do julgamento final pelo colegiado justificavam a medida cautelar. O ministro reforçou que a questão de fundo, sobre os limites entre moderação de conteúdo eleitoral e liberdade de expressão, segue em aberto no plenário.

O QUE DIZ A CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019 e candidato do PL (número 22) à Presidência da República, nega qualquer proposta sua ou vinculada à sua campanha para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. Em evento de campanha no Brás, em São Paulo, na segunda-feira (28), o candidato segurou uma imagem da santa, gesto interpretado como resposta às informações falsas associadas a ele, segundo o Correio Braziliense.

Perguntas frequentes

O que Flávio Dino decidiu sobre os posts?

Dino suspendeu, em 27 de setembro, a ordem do TSE que mandava excluir a publicação do humorista Antônio Tabet, por entender que a medida se aproximava de censura prévia, e levou o caso ao plenário do STF.

Por que Fux reverteu a decisão de Dino?

Fux considerou que a proximidade das eleições e o risco de decisões contraditórias sobre o mesmo conteúdo justificavam restabelecer, em caráter provisório, a ordem eleitoral original até o julgamento pelo plenário.

Qual foi a decisão original do TSE?

Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou a retirada da publicação de Tabet e proibiu sua republicação, sob multa de R$ 30 mil.

A polêmica sobre a padroeira tem alguma base real?

Não, segundo a apuração da imprensa. O boato remonta a um projeto de lei arquivado há quase 20 anos, sem relação com Flávio Bolsonaro ou com sua campanha em 2026.

Notícia anteriorGoogle corrige 180 vulnerabilidades no Android em atualização de setembro
Próxima notíciaTransações com PIX caem 10% após proibição das bets; veja os dados