O macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil projeta um crescimento significativo na oferta de empregos formais nos próximos anos. A expectativa é de que 33 mil novas vagas com carteira assinada sejam criadas até 2026.
Essas oportunidades, no formato CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), concentram-se principalmente nos segmentos de serviços e software, impulsionando a economia digital do país e a demanda por profissionais qualificados em diversas áreas.
Apesar da projeção positiva, o setor enfrenta um desafio persistente: a formalização. Grande parte das contratações ainda ocorre por meio de PJs (pessoas jurídicas), especialmente no regime MEI (Microempreendedor Individual), o que contrasta com a meta de expandir os empregos formais e as garantias trabalhistas.
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PROJEÇÃO DE 33 MIL NOVAS VAGAS FORMAIS ATÉ 2026
A pesquisa da Brasscom, a associação das empresas de TIC, aponta para um cenário de expansão contínua no mercado de trabalho formal em tecnologia. A projeção de 33 mil novos postos de trabalho CLT para 2026 reflete a demanda aquecida por profissionais qualificados em áreas como desenvolvimento, análise de dados e segurança cibernética.
Este número, embora robusto, coloca um desafio. Em 2025, o macrossetor registrou a criação de 23,7 mil novas vagas CLT. Este volume ficou abaixo da projeção conservadora inicial que ultrapassava os 30 mil empregos. Isso indica que, apesar do potencial de crescimento, fatores externos e internos podem influenciar o ritmo de formalização e a concretização dessas oportunidades.
A diferença entre o projetado e o realizado em 2025 sublinha a complexidade de transformar a demanda por talentos em empregos formais, com todas as suas implicações para empresas e trabalhadores.
O DESAFIO DA FORMALIZAÇÃO NO SETOR DE TECNOLOGIA
Historicamente, o setor de tecnologia no Brasil tem uma alta adesão à contratação de profissionais como pessoas jurídicas. A modalidade de PJ, muitas vezes como MEI, é vista por muitas empresas como uma forma de flexibilizar custos e processos burocráticos, enquanto para alguns profissionais, oferece maior autonomia e potencial de ganhos.
A maioria das vagas ainda realiza contratações de PJs, especialmente MEI. Essa prática, embora comum, levanta discussões sobre os benefícios trabalhistas e a segurança jurídica para os profissionais, como férias remuneradas, 13º salário e acesso a fundos de garantia. A formalização em CLT oferece estas garantias, mas impõe custos adicionais às empresas.
Encontrar um equilíbrio entre a flexibilidade do mercado e a necessidade de formalização é crucial para o desenvolvimento sustentável do setor e para a atração e retenção de talentos a longo prazo.
SERVIÇOS E SOFTWARE IMPULSIONAM A CRIAÇÃO DE EMPREGOS
As 33 mil vagas formais projetadas para 2026 devem se concentrar em dois pilares fundamentais do setor de TIC: serviços e desenvolvimento de software. Estes segmentos são motores da inovação e da transformação digital em diversas indústrias, desde o varejo até o agronegócio.
A demanda por soluções de software personalizadas, plataformas digitais, consultoria em tecnologia, desenvolvimento de sistemas e suporte técnico continua a crescer exponencialmente. Empresas de todos os portes buscam otimizar suas operações e oferecer melhores experiências digitais aos seus clientes, gerando a necessidade de mais talentos com carteira assinada para atender a essa expansão.
Profissionais com habilidades em programação, análise de sistemas, gestão de projetos de TI, cibersegurança e inteligência artificial são especialmente procurados para preencher estas novas posições.
A REONERAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTO E SEUS IMPACTOS
Um dos fatores que podem impactar negativamente a criação de vagas formais é a reoneração gradual da folha de pagamento. Esta medida governamental, que aumenta os custos para as empresas com a contratação de funcionários CLT, é elencada pela Brasscom como um detrator significativo para a formalização.
A reoneração implica que as empresas precisarão arcar com uma porcentagem maior de encargos sociais sobre os salários de seus empregados. Ao enfrentarem custos mais elevados com a folha de pagamento, as empresas podem ser incentivadas a manter ou expandir a contratação via PJ, o que desacelera o processo de formalização e a criação de empregos com carteira assinada.
Este cenário cria uma tensão entre a necessidade de arrecadação do governo e a capacidade das empresas de TIC de gerar empregos formais em um ritmo acelerado, impactando diretamente as projeções de crescimento.
O PAPEL DA BRASSCOM E O FUTURO DA FORMALIZAÇÃO
A Brasscom, como associação que representa as empresas de tecnologia, desempenha um papel fundamental na análise e divulgação desses dados. Ao apresentar as projeções e os desafios, a entidade busca fomentar o debate e a busca por soluções que incentivem a formalização no setor.
O descompasso entre a projeção e a realização de vagas formais em 2025, com 23,7 mil empregos CLT criados frente a uma expectativa de mais de 30 mil, ilustra a complexidade da formalização. A necessidade de profissionais é evidente, mas o custo da contratação formal e as políticas governamentais são barreiras importantes.
O objetivo é equilibrar a segurança do trabalhador com a viabilidade econômica do empregador, garantindo que o setor de tecnologia continue sendo um motor de desenvolvimento e inovação para o Brasil, com empregos de qualidade e formalizados.
PERGUNTAS FREQUENTES
QUANTAS VAGAS FORMAIS SÃO PROJETADAS PARA 2026?
O macrossetor de TIC no Brasil projeta a criação de 33 mil novas vagas formais, no formato CLT, até 2026.
QUAL É O PRINCIPAL DESAFIO NA CRIAÇÃO DESSAS VAGAS?
O principal desafio é a formalização, pois a maioria das contratações no setor ainda é realizada por meio de PJs, especialmente MEI, em vez de empregos CLT.
QUAIS SEGMENTOS LIDERAM A OFERTA DE EMPREGOS?
A criação de vagas formais se concentrará predominantemente nos segmentos de serviços e desenvolvimento de software, que são os motores da inovação.
A REONERAÇÃO DA FOLHA AFETA ESSAS PROJEÇÕES?
Sim, a reoneração gradual da folha de pagamento é apontada pela Brasscom como um dos fatores que podem diminuir o ritmo de criação de vagas formais no setor, devido ao aumento dos custos para as empresas.

























