As vendas globais de smartphones caíram cerca de 6% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a consultoria Omdia. O recuo confirma uma tendência que já vinha sendo observada nos meses anteriores e reforça o peso crescente dos custos de memória sobre o preço final dos aparelhos.
Segundo os dados da Omdia, o setor movimentou 272 milhões de unidades no trimestre, resultado da combinação entre estoques elevados nos varejistas e o aumento nos preços de componentes essenciais, como memórias DRAM e NAND, cada vez mais direcionadas para data centers voltados a inteligência artificial.
Outras consultorias do setor, como a IDC e a Counterpoint Research, chegaram a números um pouco diferentes, mas todas apontam na mesma direção, com quedas entre 6% e 11% no período, dependendo da metodologia de contagem usada por cada empresa.
Índice
A crise de memória por trás da queda
O principal fator citado pelas consultorias é a escassez de chips de memória, provocada pela priorização de fornecedores como Samsung e SK Hynix aos clientes de data centers de inteligência artificial em detrimento da eletrônica de consumo tradicional. Essa mudança de prioridade elevou os custos de produção e forçou fabricantes a repassar parte do aumento aos consumidores finais.
Os segmentos mais afetados
Segundo a Omdia, os segmentos intermediário e premium devem sentir mais os efeitos da crise de componentes nos próximos trimestres, já que margens menores nesses produtos dificultam a absorção dos custos adicionais sem repasse direto ao preço final. Marcas concentradas nesses segmentos, como Xiaomi, OPPO e vivo, registraram quedas de dois dígitos no período.
Diferença entre as consultorias
A diferença nos números divulgados por Omdia, IDC e Counterpoint decorre principalmente da metodologia usada por cada empresa, que pode contar remessas de fábrica para o canal de distribuição ou vendas efetivas ao consumidor final. Ainda assim, todas as fontes concordam que o trimestre marcou um dos piores desempenhos do setor em mais de uma década.
Perspectiva para o restante de 2026
A Omdia projeta que os declínios mais acentuados devem ocorrer no terceiro e no quarto trimestres deste ano, à medida que a crise de memória se prolonga e afeta principalmente o lançamento de novos modelos de entrada e intermediários em diferentes regiões do mundo. A expectativa é de que o cenário só comece a se normalizar a partir de 2027.
O impacto para além dos smartphones
A escassez de componentes de memória não se limita ao mercado de celulares. Segundo a IDC, as remessas globais de computadores pessoais também recuaram no mesmo período, evidenciando que a disputa por capacidade de produção entre eletrônica de consumo e infraestrutura de inteligência artificial afeta toda a cadeia de tecnologia ao redor do mundo.
Perguntas frequentes
Qual foi a queda nas vendas globais de smartphones no trimestre
Segundo a Omdia, a queda ficou próxima de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por que os smartphones ficaram mais caros
O principal motivo é a escassez de chips de memória, priorizados para data centers de inteligência artificial em vez da eletrônica de consumo.
Todas as marcas foram afetadas da mesma forma
Não. Marcas com portfólio concentrado em produtos de entrada e intermediário, como Xiaomi, OPPO e vivo, sentiram mais o impacto da crise.
A situação deve melhorar nos próximos meses
As projeções indicam que os trimestres seguintes podem apresentar quedas ainda maiores, com normalização esperada apenas a partir de 2027.
Por que os números de diferentes consultorias variam
Cada empresa usa metodologia própria, contando remessas de fábrica ou vendas efetivas ao consumidor, o que gera diferenças nos percentuais divulgados.

























