As grandes plataformas digitais consolidam, nesta reta final de campanha, a posição de principais canais de comunicação política no país. Levantamentos publicados em setembro mostram que o Facebook sozinho já faturou cerca de R$ 159 milhões em anúncios ligados à eleição de 2026, número que evidencia o quanto as campanhas dependem hoje das big techs para alcançar o eleitor.

Ao mesmo tempo, plataformas como o TikTok anunciaram inicativas voltadas a educação midiática, num movimento paralelo ao aumento de gastos publicitários das campanhas dentro dos aplicativos.

QUANTO AS CAMPANHAS ESTÃO GASTANDO EM PUBLICIDADE DIGITAL

O montante faturado pelo Facebook com anúncios políticos em 2026 já supera boa parte do registrado em eleições anteriores, segundo dados analisados por veículos de imprensa a partir da biblioteca de anúncios da própria Meta. O crescimento reflete tanto o aumento no número de candidatos que investem em impulsionamento quanto a elevação do valor médio gasto por campanha.

Levantamentos independentes de universidades também mapeiam gastos específicos de pré candidatos em disputas ao Senado em diferentes estados, mostrando concentração de investimento em um número relativamente pequeno de nomes bem financiados.

DEPENDÊNCIA DAS CAMPANHAS EM RELAÇÃO ÀS BIG TECHS

Analistas de comunicação política apontam que a concentração de investimento em poucas plataformas amplia o poder dessas empresas sobre o alcance das mensagens de campanha. Sem acordo comercial com Meta, Google ou TikTok, fica mais difícil para um candidato atingir escala relevante de eleitores conectados.

Essa dependência também coloca as próprias plataformas no centro do debate sobre moderação de conteúdo, já que decisões internas sobre regras de anúncios e remoção de posts passam a ter impacto direto na dinâmica da disputa eleitoral.

MODERAÇÃO REDUZIDA EM PARTE DAS PLATAFORMAS

Relatos do setor indicam que Meta, X e Google chegam a esta eleição com equipes de moderação de conteúdo menores do que em ciclos eleitorais anteriores, tendência associada a cortes de custos globais nessas empresas. O TikTok aparece como exceção, com investimento específico em iniciativas voltadas ao contexto eleitoral brasileiro.

A redução de equipes de moderação em algumas plataformas coincide com o reforço de regras do TSE contra o uso indevido de inteligência artificial em campanhas, o que gera debate sobre a capacidade real de fiscalização em tempo hábil durante a rea final da disputa.

TIKTOK APOSTA EM EDUCAÇÃO MIDIÁTICA

O TikTok lançou, em parceria com a Justiça Eleitoral, iniciativas voltadas a educar usuários mais jovens sobre como identificar desinformação e conteúdo manipulado dentro do aplicativo. A plataforma tem grande concentração de usuários entre eleitores mais jovens, público apontado como mais exposto a esse tipo de conteúdo.

A ação inclui material educativo dentro do próprio feed e reforço dos canais de denuncia para conteúdo eleitoral irregular, seguindo diretrizes acordadas com o TSE para esta eleição.

O QUE ESPERAR ATÉ O FIM DA CAMPANHA

Especialistas em comunicação digital avaliam que o investimento em publicidade paga dentro das plataformas deve continuar crescendo até a reta final da campanha, período em que candidatos tendem a concentrar parte relevante do orçamento em impulsionamento digital.

O acompanhamento de gastos publicitários por veículos de imprensa e pesquisadores deve continuar servindo como principal fonte de transparência sobre o tema, já que as próprias plataformas disponibilizam parte limitada dessas informações em bibliotecas de anúncios públicas.

PERGUNTAS FREQUENTES

Quanto o Facebook faturou com anúncios políticos em 2026?

Levantamentos publicados em setembro indicam faturamento próximo de R$ 159 milhões em anúncios ligados à eleição, segundo dados da biblioteca de anúncios da Meta.

Todas as plataformas reduziram a moderação de conteúdo nesta eleição?

Não. Relatos do setor apontam redução em Meta, X e Google, enquanto o TikTok ampliou iniciativas específicas para o contexto eleitoral brasileiro.

Por que o TikTok investe em educação midiática nesta eleição?

A plataforma concentra grande parte de usuários jovens, público apontado como mais exposto a desinformação, e atua em parceria com a Justiça Eleitoral nessas ações.

Onde é possível acompanhar quanto cada candidato gasta em anúncios?

As bibliotecas de anúncios mantidas pelas próprias plataformas, como a da Meta, disponibilizam parte dessas informações publicamente, além de levantamentos feitos por veículos de imprensa e universidades.

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