A Meta suspendeu a atualização de quatro conjuntos de termos que tratavam da coleta e do uso de conteúdo publicado por veículos de comunicação, incluindo o treinamento de sistemas de inteligência artificial. As mudanças estavam previstas para entrar em vigor em 20 de novembro de 2026 e agora estão pausadas.

Até nova ordem, valem os termos anteriores. A empresa afirmou que segue em diálogo com as partes interessadas e que compartilhará novas informações assim que possível, sem prazo definido. A informação foi publicada pelo Olhar Digital.

O comunicado não apresenta o motivo oficial do adiamento, mas a reportagem relaciona a decisão a um revés judicial sofrido pela Meta no Brasil poucos dias antes.

QUAIS TERMOS FORAM SUSPENSOS

A pausa atinge os Termos Comerciais, os Termos do Catálogo de Produtos, os Termos para Criação de Anúncios com Autoatendimento e os Termos de IA Generativa para Criativo do Anúncio. São documentos que regem a relação da empresa com anunciantes e com quem usa as ferramentas de publicidade da plataforma.

Segundo o Olhar Digital, as novas regras tratavam da coleta e do uso de conteúdo de veículos de imprensa, inclusive para desenvolver e treinar sistemas de IA. Com a suspensão, nada muda na data prevista.

A LIMINAR DA JUSTIÇA DE SÃO PAULO

Na terça-feira (3), a Justiça de São Paulo concedeu uma liminar em ação movida por três entidades. São elas a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER).

A decisão proíbe a Meta de coletar e usar, sem autorização, conteúdos jornalísticos de veículos ligados às três entidades. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 1 milhão por dia, com teto de R$ 100 milhões.

A liminar também obriga a empresa a manter ativas as contas de veículos que não permitam a coleta e o uso de seu conteúdo, sem qualquer punição. Na prática, a Meta não pode retaliar quem recusar.

A REAÇÃO EM OUTROS PAÍSES

O movimento brasileiro não é isolado. Nos Estados Unidos, um senador republicano e um democrata enviaram cartas à Meta criticando as novas regras. A atuação conjunta de parlamentares de partidos opostos é um sinal incomum de preocupação com o tema.

Na Noruega, uma liminar obtida em processo movido por empresas de mídia suspendeu a nova política. No Reino Unido, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) investiga se as exigências contratuais da Meta configuram abuso de posição dominante ou condições comerciais desleais para veículos de comunicação e anunciantes.

O conjunto de ações mostra que a discussão sobre uso de notícias para treinar IA chegou a tribunais e reguladores em vários continentes ao mesmo tempo.

O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO

O ponto central é se uma plataforma pode usar o material de veículos de imprensa para treinar modelos de IA sem autorização e sem pagamento. Para as entidades de mídia, o conteúdo jornalístico tem custo de produção e valor econômico. Esse valor está no centro da disputa judicial.

Do lado das empresas de tecnologia, o argumento comum é que modelos de IA precisam de grandes volumes de dados para funcionar bem. A Meta não detalhou sua posição na nota citada pela reportagem, que apenas registra o diálogo com as partes interessadas.

Olhar Digital ouviu os advogados Antonielle Freitas, da Comissão Especial de Privacidade e Proteção de Dados da OAB de São Paulo, e Marcelo Inoue Cárgano sobre o caso. As opiniões foram publicadas em matéria separada.

O QUE ISSO SIGNIFICA PARA ANUNCIANTES E VEÍCULOS

Para os veículos, a pausa dá fôlego. Sem a mudança nos termos, não há novo prazo para que a Meta passe a tratar o conteúdo publicado nas páginas como material de treinamento sob regras mais amplas.

Para anunciantes e agências, a mudança significa estabilidade temporária. Os contratos atuais seguem valendo, mas o tema deve voltar quando a empresa divulgar uma nova versão dos termos. Vale acompanhar os avisos da plataforma e revisar cláusulas quando o novo texto for publicado.

PERGUNTAS FREQUENTES

O QUE A META ADIOU

A atualização de quatro conjuntos de termos que tratavam da coleta e do uso de conteúdo de veículos de comunicação, inclusive para treinar sistemas de IA.

AS REGRAS ESTAVAM PREVISTAS PARA QUANDO

Para 20 de novembro de 2026. A empresa informou que elas estão pausadas e não entram em vigor nessa data.

O QUE DIZ A LIMINAR DA JUSTIÇA DE SÃO PAULO

A decisão proíbe a coleta e o uso, sem autorização, de conteúdo de veículos ligados à ANJ, à Abert e à ANER, com multa diária de R$ 1 milhão e teto de R$ 100 milhões.

A META JÁ DEU UM NOVO PRAZO

Não. A empresa disse que compartilhará novas informações assim que possível, sem data definida.

Notícia anteriorHackers alteram temperatura de freezers de bancos de sangue na França
Próxima notíciaArena Robótica 26 leva batalhas de robôs, drones e realidade virtual ao Mané Garrincha, em Brasília