Bank of America, Blackstone, Citi e Morgan Stanley anunciaram um financiamento de US$ 63 bilhões para a Broadcom comprar chips e equipamentos de rede que serão arrendados à Anthropic. A operação foi divulgada na segunda-feira, 26 de outubro, e está entre as maiores já montadas para infraestrutura de inteligência artificial. As entregas começam em 2027.

O negócio ajudou a reanimar as ações de tecnologia depois de semanas de vendas. Na terça-feira, o Índice de Semicondutores da Filadélfia já tinha subido 2,8% no dia anterior, o maior ganho diário em cerca de um mês, e os mercados asiáticos abriram em alta puxados por fabricantes de chips.

COMO O FINANCIAMENTO FUNCIONA

A Broadcom compra os equipamentos e os aluga à Anthropic. Os bancos financiam essa compra com dívida. Segundo o escritório Sullivan & Cromwell, o financiamento cobre 1,7 gigawatt de capacidade, parte de um acordo maior de 3,5 gigawatts entre as duas empresas.

De acordo com fontes da Reuters, a dívida prioritária soma cerca de US$ 43,5 bilhões, o que equivale a 69% do total. A Blackstone fornece a dívida de segunda prioridade, que paga mais juros e absorve as primeiras perdas se algo der errado.

A GARANTIA DA BROADCOM

A Broadcom garante o valor dos equipamentos até o montante da dívida prioritária. Sua exposição máxima, de US$ 43 bilhões, deve cair a zero em cinco anos, segundo a apresentação feita a investidores. Em outras palavras, a fabricante assume o risco de que os chips percam valor mais rápido do que o previsto, mas só durante um período limitado.

O Wall Street Journal relatou que o CEO Hock Tan negociou por quase dois meses e fechou o acordo, chamado de Project North Star, no fim de semana. Para chegar a um consenso, a empresa aceitou concessões como juros mais altos e garantias extras exigidas pelos bancos.

POR QUE O MERCADO REAGIU BEM

No pré-mercado americano, a Broadcom subia 3,3%, a Micron 2,6%, a Intel 2,1%, a AMD 1,6% e a Nvidia 1,1%. Na Ásia, o Kospi avançou 3,1% com SK Hynix e Samsung, e o Nikkei 225 ganhou 1,7% com Tokyo Electron e Advantest. Segundo análise da XTB, os investidores leram o acordo como sinal de demanda real por tecnologia de IA.

O financiamento chegou junto de outros dois movimentos de grande porte. A Meta anunciou uma oferta de ações de até US$ 95 bilhões para bancar a expansão em IA, e o mercado também acompanha o pedido de abertura de capital da Anthropic. Os três fatos, juntos, mostram quanto dinheiro externo a corrida por computação está exigindo.

OS RISCOS DE FINANCIAR CHIPS COM DÍVIDA

Chips de IA envelhecem rápido. Uma nova geração de processadores pode reduzir o valor de equipamentos comprados há poucos anos, e é por isso que a garantia da Broadcom tem prazo curto. Para os bancos, a estrutura divide o risco entre a fabricante, a locatária e os credores de segunda linha.

Também há o risco de demanda. O contrato depende de a Anthropic continuar pagando o aluguel durante anos, o que pressupõe receitas crescentes. O investidor que compra essa dívida está apostando que o uso de IA vai continuar se expandindo no ritmo atual.

O QUE OBSERVAR NOS PRÓXIMOS DIAS

Os próximos testes são as decisões de juros do Federal Reserve e os balanços trimestrais da Alphabet e da Microsoft, previstos para esta quarta-feira, 28 de outubro. Os resultados dirão se as empresas de nuvem conseguem converter gastos em receita no ritmo que o mercado espera.

PERGUNTAS FREQUENTES

QUAL O VALOR DO FINANCIAMENTO?

O valor é de US$ 63 bilhões, com cerca de US$ 43,5 bilhões em dívida prioritária, segundo fontes da Reuters.

QUEM FINANCIA A OPERAÇÃO?

Bank of America, Blackstone, Citi e Morgan Stanley. A Blackstone fornece a dívida de segunda prioridade.

O QUE SERÁ COMPRADO COM O DINHEIRO?

Chips e equipamentos de rede da Broadcom, que serão arrendados à Anthropic. As entregas começam em 2027.

QUAL O TAMANHO DO ACORDO ENTRE BROADCOM E ANTHROPIC?

O acordo total é de 3,5 gigawatts. O financiamento atual cobre 1,7 gigawatt dessa capacidade.

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